Rodrigues Guedes de Carvalho: O testemunho emocionante sobre a morte do seu cão

O testemunho impressionante que se está a tornar viral nas redes sociais

Partilhar no Facebook
1,231 1.2k Partilhas

Rodrigo Guedes de Carvalho: O testemunho emocionante sobre a morte do seu cão

O testemunho impressionante que se está a tornar viral nas redes sociais

O jornalista partilhou a dor que sente com a partida do seu animal de estimação. De coração partido, Rodrigo Guedes de Carvalho expressou em palavras a o que sente com a perda deste companheiro de 15 anos.

Este texto está a tocar no coração de muitos portugueses.

"DE AMOR E RAIVA
O meu cão morreu. Não venho com poesias, não se preocupem. Mas os mais apressados podem seguir, ir ver posts engraçados ou polémicas de futebol e política, ou textos sarcásticos e inteligentes. O meu cão morreu. Esta foto tem 15 anos, é o meu cão com os meus filhos. Cresceram todos juntos. No dia em que ele morreu, a minha filha estava muito longe, ainda bem. O meu filho, primeiro, não quis ir despedir-se do cão, depois conseguiu. Quando o meu filho estava a despedir-se do cão, eu saí. Era uma coisa no peito, uma vontade de desatar a correr. O meu cão era petulante. Na rua, não se desviava de ninguém, maçava-se se lhe queriam fazer festas. Queria matar todos os outros cães e cobrir todas as cadelas. Tentava com arrogância, como se lhes fizesse um favor, algumas cadelas são feiosas e ele era muito bonito. 15 anos. Não me lembro de ele não estar na minha vida, provavelmente houve um período, sim. Não me lembro. Escrevi cinco romances com o meu cão aos pés. Era petulante, vinha para o meu lado como se me fizesse um favor. Era o cão mais bonito que vi. Cinco romances. Não é coisa pouca, experimentem escrever um. Por vezes, os meus amigos davam-lhe petiscos por baixo da mesa. Eu ralhava aos meus amigos. Queria aqui os meus amigos todos, a pensarem que eu não estou a ver os petiscos por baixo da mesa. Fui sozinho à cremação. Uma coisa no peito, a esperar que ninguém olhasse para mim. Disse-lhe coisas ao ouvido. Depois o meu cão regressou a casa, vem numa embalagem bonita e será misturado com sementes de árvore. Vai ficar em casa. No dia em que o meu cão regressou a casa, vieram também os primeiros exemplares do novo livro. Tudo ao mesmo tempo. Claro. Tudo a voltar a casa. Levei-os a todos, os livros e o cão, para o quarto onde escrevi cinco romances. Vocês sabem o que é sangrar um? Este foi o último com o meu cão aos pés. Fala de amor e raiva. A coisa no peito."

Partilhar no Facebook
1,231 1.2k Partilhas

Fonte: tvmais.sapo.pt · Crédito foto: tvmais.sapo.pt