Carta aberta a uma advogada. “Cara Maria de Fátima Pereira...”

“Tudo isto e muito mais não é ilegal mas não deixa de ser extremamente errado.”

Partilhar no Facebook
71 71 Partilhas

Cara Maria de Fátima Pereira. Embora muitos não a conheçam, no passado dia defendeu na TVI que “é legal” e normal “as Finanças mandarem parar condutores para cobrar dívidas”.

Na verdade, aquilo que é legal nem sempre é correto. Da mesma forma que não é ilegal penhorar o carro de um contribuinte numa operação stop surpresa, também não é ilegal um deputado mentir na sua morada para duplicar o salário com subsídios e apoios de deslocação. Tal como não é ilegal uma deputada favorecer o pai na atribuição de 276 mil euros em fundos comunitários. Tal como não é ilegal governantes e autarcas contratarem familiares e amigos para cargos públicos sem qualquer concurso. Tal como não é ilegal um município comprar mais de metade dos livros de um ex-presidente de câmara apenas porque, lá está, foi presidente da câmara. Tal como não é ilegal um parlamentar ter direito a uma subvenção vitalícia com apenas oito anos de serviços público.

Tudo isto e muito mais não é ilegal mas não deixa de ser extremamente errado.

Da mesma forma que uma mulher foi mandada parar na “operação stop” da Autoridade Tributária por ter o Imposto de Celo “fora do prazo um ou dois dias”, também o Estado deveria ser responsabilizado quando milhares de pessoas têm de esperar quase dois anos para receber as reformas e as pensões de sobrevivência a que têm direito. Quando falha em garantir a segurança e apoio aos contribuintes que o sustentam, permitindo que vítimas de incêndios continuem a viver em garagens e dependentes de caridade. Quando um paciente tem de esperar dois anos por uma consulta prioritária no Serviço Nacional de Saúde. Quando demora anos e anos para aprovar obras num hospital para tratamento de crianças com cancro, enquanto desperdiça milhões de euros com obras e luxos desnecessários.

Por isso, cara advogada, a triste realidade é que o Estado em Portugal deixou de servir os contribuintes para deles apenas se servir. Enquanto os responsáveis por nos governar escondem-se por detrás das legalidades de um sistema criado para sustentar os caprichos de alguns políticos, banqueiros e empresários, os comuns são subjugados à intolerância e aos constantes falhanços. Mas é o normal.

Tenho dito.

Partilhar no Facebook
71 71 Partilhas

Fonte: Gaspar Macedo · Crédito foto: Gaspar Macedo