Com um filho deficiente esta mãe desespera sem apoios

Mulher revela injustiça que está a passar

Partilhar no Facebook
67 67 Partilhas

Com um filho deficiente esta mãe desespera sem apoios

Pedro tem 16 anos, não vê, não fala, não ouve e é alimento por uma sonda. A sua mãe Clara Soares separou-se há quatro anos e ficou com este filho a cargo.

Um ano depois de estar com o jovem deficiente a cargo, quando fez o novo IRS viu serem-lhe cortados os apoios que recebia. Pedro tem 100% de incapacidade. 

Em fraldas, seringas, medicação e alimentação específica, Clara gasta quase 400 euros por mês, dos 580 que ganha.

"Se estivesse em casa a receber o rendimento social de inserção (RSI), tinha mais vantagens", lamenta Clara, que desde 2016 tem batido a todas as portas para pedir ajuda e denunciar esta injustiça.

Na altura que vivia com o marido que ganhava bem não trabalhava e o ovem era seguido na Apadimp (Associação de Pais e Amigos dos Diminuídos Mentais de Penafiel). Na altura tinha subsidio para fraldas e transporte gratuito.

Quando se separou começou a tranalhar num restaurante e foi ai que começaram os problemas. 

Como os 580 euros do salário mínimo (14 meses) fazem-na ultrapassar o valor do indexante dos apoios sociais per capita que lhe dariam a isenção. Ou seja, perdeu o direito ao transporte gratuito, perdeu o apoio para fraldas, medicação ou seringas e até o abono passou do 1.º para o 2.º escalão. Tudo porque deixou de "ter direito à isenção", ou seja, para o Estado deixou de estar em situação de "insuficiência económica".

Todos os meses estas contas são feitas ao cêntimo é "uma ginástica", só possível "graças à bondade de muitos". 

Ao salário de 580 euros soma-se  o abono e a pensão de alimentos de 125 euros e são 955 euros: 320 para a renda da casa, 400 para despesas do Pedro, viagens diárias até à Maia e já mão sobra nada para a alimentação.

Por dia o jovem precisa de duas seringas de alimentação (direta ao estômago). Cada uma custa 1,95 euros. A comida, toda passada, tem que ser reforçada. "A médica mandou-me dar-lhe um óleo para ver se ele engorda um bocadinho. Cada garrafa de litro custa 80 euros. Não pude comprar", contou.

Para a mãe trabalhar o jovem está  em regime ambulatório, no Kastelo - Unidade de Cuidados Continuados e Paliativos, em S. Mamede de Infesta (Matosinhos). 

Leva-o antes de ir trabalhar e vai busca-lo ao fim do dia e e esta associação que lhe ajuda bastante "Dão-me um cabaz de alimentos por semana. É a minha sorte", explica, com as lágrimas nos olhos.

A mulher está sozinha, não tem pais, os irmãos estão emigrados assim como o pai de Pedro. Clara lamenta a falta de apoios para quem é "mãe sozinha a tempo inteiro de um filho com 100% de deficiência e quer trabalhar".

Partilhar no Facebook
67 67 Partilhas

Fonte: www.jn.pt · Crédito foto: www.jn.pt